Taekwondo: Arte Marcial Ou Esporte Olímpico?

André Alex Lima concedeu uma entrevista na semana passada, de leitura obrigatória, que nos faz entender entre outras coisas que o taekwondo praticado hoje em dia, considerando-o como uma arte marcial, não passa de um simples esporte de luta.

A prioridade no aprendizado do bandal, um chute muito fácil de ser executado, em detrimento de técnicas como o yop tchagui (e suas variáveis), o miro tchagui e, sobretudo, o soco (quase inexistente no ensino), fez com que o taekwondo atual se tornasse motivo de chacota em rodas de praticantes que treinam outras artes marciais e usam como parâmetro os lutadores de MMA (versão atualizada do vale-tudo) ou mesmo o do K1 (uma mistura do boxe tailandês com o Full Contat).

Outro dia, assistíamos a uma reprise de uma luta de K1, ocorrida em 2007, na Coréia, na qual lutavam um coreano, lutador de taekwondo (com cerca de 1,95m de altura e de compleição física, da cintura para cima, totalmente fora dos padrões de atletas que costumam participar desses eventos, contra um oponente muito forte e que sabia boxe e chão. Pois bem, ao começar a luta, o coreano partiu pra cima do oponente com a guarda baixa. Acertou um bandal aqui, outro ali, complementou com um nério por cima da cabeça do adversário e continuou a se sacudir. De repente (ambos na base fechada), o coreano entrou um bandal com a perna da frente, ao mesmo tempo em que seu oponente encaixou um cruzado de direita. FIM DE COMBATE.

O mais interessante, no entanto, não foi o apagar das luzes para o dono da casa e o silêncio da platéia coreana. O mais curioso foi ouvir o comentarista Artur Mariano (treinador de atletas de Muay Thay) criticar a postura do lutador. Ele dizia: ´Isso aqui não é taekwondo...eu acho que ele pensou que isso aqui fosse taekwondo`, complementou Mariano.

Na verdade, o comentarista de forma alguma quis depreciar a modalidade, ele simplesmente, por viver o mundo das lutas, e conhecer o taekwondo esportivo, entende, da mesma forma, que os movimentos dos pontinhos são do próprio taekwondo, ou seja, insuficientes para se tentar alguma coisa no K1. O que diria então no MMA?

Isso representa dizer que o taekwondo marcial de verdade, que se começou a praticar nas décadas de 70 e 80, foi jogado de lado. Os professores não mais motivam seus praticantes a, por exemplo, socar umamakiwara; poucos desenvolvem as técnicas de joelhadas existentes (tão eficazes na curta distância), o que dizer então de treinar, por exemplo, ap tchagui insistentemente, acompanhado de seguidos socos? Se duvidar, os faixas-pretas de taekwondo, da atualidade, só usam o ap tchagui quando precisam fazer um poomsae.

Infelizmente essa é a realidade do taekwondo atual na maioria das academias. É preciso se fazer separar o lado desportivo do taekwondo marcial.

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